ono do recinto sacou um revólver, de calibre 38, que escondia por baixo da calça e atirou contra o jovem. Os tiros acertaram o olho esquerdo, coração, garganta, cérebro e partes íntimas. Astolfo era conhecido por ser um exímio atirador.Ao ser acionada, a Polícia Militar compareceu em 10 minutos e prendeu, em flagrante, o autor da atrocidade. Calleto, que ainda tinha uma bala no revólver, ameaçou suicídio, mas não teve coragem de concluir o ato. O dono do Periquita’s foi algemado e levado para a cadeia pública da cidade. Ao ser colocado, com resistência, no camburão, gritava frases, como: “o moleque precisava de um corretivo”, “comigo é assim: resolvo é na bala”, “agora vai pagar, vai pagar a conta no inferno”, “vai dar calote no capeta que é melhor”, entre outras. “Por ter cometido um homicídio doloso qualificado, acredito que o sujeito meliante possa pegar 25 anos de xadrez. E isso ainda é pouco para ele”, adianta o coronel PM Ataliba Schutz, responsável pela prisão de Astolfo.
Vista aérea da cidade de Ipanema (MG)
A dívida a que se refere Calleto é de R$ 356,98 e já durava 14 meses. Os amigos de Itzak afirmam que ele jamais agia de má fé. “Era o jeito dele. Esquecia das coisas mesmo. Era gente boa e nunca arrumava confusão com ninguém. Mas possuía esse defeito: não tinha muito controle financeiro”, lamenta Pedro Souza, vulgo Pilequinho. Uma investigação da Polícia Civi
l constatou que o jovem também possuía dívidas com mais quatro bares, dois hotéis, cinco supermercados, dois agiotas, sete amigos e três “namoradas”. A dívida mais antiga era com Anyúza Gatyso, 79, uma de suas “damas”. A data: abril de 2001.
A esposa do assassino conta que o marido tinha problemas psiquiátricos e que isso pode ser o motivo do crime. “Ele era muito alegre, mas tinha seus acessos de fúria. Já bateu até na mãe no segundo domingo de maio. Mas ele era uma boa pessoa. Só tinha esses devaneios. É uma pena que esse rapaz tenha discutido com ele. Meu marido já chegou a espancar e esfaquear, porém nunca tinha matado mesmo. Já deixou um cliente tetraplégico, mas matar um homem... foi a primeira vez”, explica Jacchetina Calleto, em meio a muitas lágrimas, que quando caíam no chão se misturavam às poças de sangue do Periquita’s.



